2º programa eleitoral Albione senado

setembro 2nd, 2010

CANDIDATOS DO PSTU VISITARAM IPIAÚ !

agosto 28th, 2010

Nos dias 21 e 22 de agosto os candidatos do PSTU estiveram na cidade de Ipiaú realizando atividades políticas e gravando programas para o horário eleitoral na TV.

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Prof. Carlos Nascimento (16), candidato ao Governo da Bahia, e o Prof. Albione (160), candidato ao Senado, ouvem a população na feira de Ipiaú.

PSTU02

Índio (16123), candidato a deputado, e Danilo Marques(1616), candidato a deputado Federal, dialogando com trabalhadores na “feirinha” em Ipiaú.

Os candidatos do PSTU baiano ao governo do estado Carlos Nascimento, Deputado Federal Danilo Marques e o Deputado Estadual Índio, estiveram em Ipiaú acompanhados do Ipiauense, que concorre ao senado, professor Albione.

PSTU 03

Prof. Carlos Nascimento se preparando para a gravação de programa eleitoral.

Durante a visita ao município de Ipiaú os candidatos do PSTU, foram ao estúdio da Ipiaú TV (www.ipiautv.com.br) , mais novo veículo de comunicação de Ipiaú, fundado por Isaias Neto, onde concluíram suas atividades gravando programas eleitorais para TV sob coordenação política de Daniel Romero.

agosto 27th, 2010

A FAZENDA DO POVO

junho 19th, 2010

A Fazenda do Povo

Pioneira experiência de Reforma Agrária em Ipiaú.

Foto 01

Euclides Neto com posseiros da Fazenda do Povo

No dia 8 deste mês, completou-se 47 anos da publicação do decreto lei 965 que desapropriou, para fins de reforma agrária, a Fazenda Santo Antônio localizada na região do Bom Sem Farinha, marcando assim a gestão de Euclides Neto como precursor da Reforma agrária na Bahia.
No período de 1962 a 1963, a região sul da Bahia passou por seca, gerando em Ipiaú e outras localidades demissões de trabalhadores. Neste contexto o prefeito de Ipiaú desapropriou uma área rural com cerca 157 hectares, a 11 km da sede do município, espólio do Sr. Ezidro Nunes Rezende, denominada Fazenda Santo Antônio, localizada na região do Bom Sem Farinha. Esta iniciativa, uma das primeiras desapropriações de terra com fins de reforma agrária realizada por um prefeito no estado da Bahia, quebra o monopólio da propriedade privada da terra, voltada para a monocultura do cacau para a exportação, convertendo-a em propriedade coletiva voltada para a subsistência das famílias dos posseiros e comercialização dos produtos agrícolas na feira livre em Ipiaú.

FOTO 02 Euclides Neto visitando famílias de posseiros da Fazenda do povo

A influência socialista de Euclides Neto, obtida durante seus estudos em Salvador e sua sensibilidade com as agruras vividas pelos trabalhadores das roças de cacau, influenciaram na decisão em socializar a propriedade privada (fazenda de cacau) passando a servir como meio de equilibrar as desigualdades sociais existentes na economia cacaueira. Desse anseio nasceu a área rural onde não existiam patrões nem empregados; a terra era utilizada por todos para a produção de alimentos para o consumo e comercialização na feira livre da cidade, diferentemente do modelo utilizado nas fazendas da região cacaueira voltado para a exportação. Os primeiros moradores batizaram o local com nome “Fazenda do Povo”. No livro “64: Um prefeito, a revolução e os jumentos”, Euclides explica a razão pela qual foi criada a Fazenda do Povo:
[a Fazenda do Povo] “Nasceu da vontade de fazer uma experiência socialista, sem ficar somente na proveta do laboratório de sociologia e política. [...] Com as secas e as fazendas despejando gente, quem mais sofria era o pai de família numerosa, o velho de braços flácidos, o homem de pereba na perna, a mulher abandonada que descaroça cacau e oferenda amor, mais chega ao ponto de não ter mais carne, porque a fome transformou-a em bagaço seco: sem forma nem gosto.
Eram o que chamamos de sucata de gente.”
Foto 03
O prefeito e um lavrador na fazenda do povo.

A atitude de socializar terras, buscando privilegiar as classes sociais menos favorecidas, em detrimento da propriedade privada, conota o caráter socialista da gestão do prefeito Euclides Neto. Tal prática, realizada na primeira metade da década de 1960, época de guerra fria, gerou desconfiança de alguns cacauicultores abastados e grupos políticos conservadores, que passam a se sentirem “ameaçados” pelas ações do prefeito, consideradas de inspirações comunistas e subversivas. São estes grupos conservadores locais que, logo depois de instalado o governo militar, denunciaram Euclides Neto, acusando-o de comunista. Após criação da Fazenda do Povo, o prefeito já preparava o decreto para desapropriar uma fazenda vizinha, com aproximadamente 300 hectares, quando em Abril de 1964 foi surpreendido com a chegada duma junta militar instalou o Inquérito Policial Militar (IPM) investigando o prefeito de Ipiaú, sobretudo, por ter iniciado a reforma agrária no município, dando origem a Fazenda do Povo.

FOTO 04 Militares investigam Euclides Neto, acusado de ser comunista

Após o término de sua gestão, Euclides Neto não voltou a se candidatar a prefeito ou mesmo outro cargo eletivo. Entretanto, foi convidado para exercer o cargo de Secretário de Reforma do Estado da Bahia, ficando a frente da secretaria entre 1987-1989, durante o governo de Waldir Pires. Neste cargo permaneceu defendendo de forma intransigente a reforma agrária, contribuindo para a realização de desapropriações de terras, combatendo a famigerada estratificação fundiária existentes no estado da Bahia.

“O trabalhador rural sempre tem razão, mesmo quando, aparentemente não a tem: pelo passado de injustiças que seus antepassados sofreram e ele próprio”.

Euclides Neto

Boca de Lobo dentro de Escola Municipal em Ipiaú!

maio 14th, 2010

Boca de lobo proliferando odores e doenças dentro da escola

Albione 01

Em pleno século XXI, diante de tantos avanços tecnológicos e científicos, presenciamos uma cena deprimente: a existência de uma boca de lobo (esgoto) aberta dentro do espaço físico da Escola Municipal Altino Cosme de Cerqueira (Miguelão) em Ipiaú, no Bairro Euclides Neto.

Boca de lobo ao lado das salas e cozinha da escola

Albione 02

Amiúde, ouvimos e vemos as propagandas dos governos municipais, estaduais e federal, alardeando suas preocupações e compromissos em defesa da educação pública.

Estudantes se alimentado ao lado do esgoto

Albione 03


Falta de higiene no ambiente escolar

Albione 04

Contudo, diante destas imagens, onde crianças se alimentam ao lado de uma fonte de proliferação de doenças e odores (terrível falta de higiene no ambiente escolar), passamos a acreditar que os verdadeiros cegos não são os que assim nasceram, mas os que por opção não querem ver. Sem dúvida esta é a verdadeira CEGUEIRA que aflige, sobretudo, os nossos governantes (funcionários do povo).

Diante da situação de desrespeito à dignidade da pessoa humana, que vem passando os docentes, discentes e funcionários da Escola Municipal Altino Cosme de Cerqueira, espera-se que o prefeito (médico) e a secretária de educação (enfermeira), cientes dos riscos de ambientes insalubres, adequadamente solucionem este grave problema.

“Para auscultar o coração de um povo não é necessário um estetoscópio, basta apenas de um coração”.

Ernesto Guevara de La Cierna (Che Guevara,   Médico e revolucionário argentino).

Museu do Lavrador é assunto na Câmara de Ipiaú!

abril 24th, 2010

Museu 01

Na sessão da Câmara de Vereadores do dia 22 de abril a tribuna popular foi utilizada pela professora Sandra Regina Mendes (Historiadora) argumentando acerca da importância de preservar o patrimônio cultural que compõe o acervo do Museu do Lavrador de Ipiaú.

Museu 02

Diante da ausência de esclarecimento do poder público sobre o destino que será dado ao Museu do Lavrador, foi profícua a iniciativa de Sandra Regina alertando os munícipes e poderes públicos a despertarem urgentemente para a revitalização deste importante símbolo da cultura material local e regional, idealizado por Euclides Neto, durante a gestão de Hildebrando Nunes Rezende.

Museu 03

Após ouvir atentamente a fala da historiadora a população presente, com saudações e palmas, demonstrou-se favorável a esta iniciativa.

DEZ ANOS SEM EUCLIDES NETO: O HOMEM, SEU ESPAÇO E SEU TEMPO

abril 3rd, 2010

foto Euclides neto ...Curso de Letras da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus XXI, Ipiaú, em parceria com o Curso de História da Faculdade Santo Agostinho – FACSA – promoverá, nesta cidade, no dia 05 de abril de 2010, a partir das 19h, no referido Campus, evento para recordar o legado do escritor, político e advogado Euclides José Teixeira Neto (1925 – 2000).

Este evento, coordenado pelos Professores Vitor Hugo Martins (UNEB) e Albione Souza (FACSA), marcará os 10 anos de ausência do intelectual e político baiano, profundamente identificado com seu espaço e seu tempo, muito embora ainda pouco estudado, mesmo entre nós da região cacaueira.

Euclides Neto publicou catorze livros, iniciando sua obra, aos dezessete anos, com Por que o homem não veio do macaco (1942), e findado-a com O tempo é chegado (2002).

No campo político, foi prefeito do município de Ipiaú, BA, entre 1963-1967, onde implantou uma das primeiras experiências de reforma agrária no País, o que lhe custou abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar, em 1964. Ocupou, ainda, a Secretaria Estadual de Reforma Agrária no governo de Waldir Pires (1987-1989).

Esta será a programação:

a) 19h – Abertura. Sket, com as acadêmicas do 7º Semestre de Letras da UNEB – Campus XXI, Josilene Nery de Souza e Lucielma Lopes de Oliveira, sobre fragmento do romance A enxada e a mulher que venceu seu próprio destino, de Euclides Neto;

b) 19h30min – Exibição do documentário EUCLIDES NETO O HOMEM E SEU TEMPO, dirigido pelo Professor Albione Souza;

c) 20h15min – Composição da Mesa (Prof. Otávio de Jesus Assis, Diretor do Campus XXI (UNEB), Prof. Vitor Hugo Martins (UNEB), Prof. Albione Souza (FACSA) e Dr. Marcelo Teixeira (Filho de Euclides Neto);

d) 21h15min – Intervenções do público;

e) 22h – Encerramento.

* Haverá também, durante o evento, exposição fotográfica intitulada EUCLIDES NETO: UM ESPÍRITO LIVRE.

DEZ ANOS SEM EUCLIDES NETO: O HOMEM, SEU ESPAÇO E SEU TEMPO

março 30th, 2010

foto Euclides neto ...

O Curso de Letras da Universidade do Estado da BahiaUNEB, Campus XXI, Ipiaú, em parceria com o Curso de História da Faculdade Santo Agostinho – FACSA – promoverá, nesta cidade, no dia 05 de abril de 2010, a partir das 19h, no referido Campus, evento para recordar o legado do escritor, político e advogado Euclides José Teixeira Neto (1925 – 2000).

Este evento, coordenado pelos Professores Vitor Hugo Martins (UNEB) e Albione Souza (FACSA), marcará os 10 anos de ausência do intelectual e político baiano, profundamente identificado com seu espaço e seu tempo, muito embora ainda pouco estudado, mesmo entre nós da região cacaueira.

Euclides Neto publicou catorze livros, iniciando sua obra, aos dezessete anos, com Por que o homem não veio do macaco (1942), e findado-a com O tempo é chegado (2002).

No campo político, foi prefeito do município de Ipiaú, BA, entre 1963-1967, onde implantou uma das primeiras experiências de reforma agrária no País, o que lhe custou abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar, em 1964. Ocupou, ainda, a Secretaria Estadual de Reforma Agrária no governo de Waldir Pires (1987-1989).

Esta será a programação:

a) 19h – Abertura.  Sket,  com as acadêmicas do 7º Semestre de Letras da UNEB – Campus XXI,  Josilene Nery de Souza  e Lucielma Lopes de Oliveira, sobre fragmento do romance A enxada e a mulher que venceu seu próprio destino, de Euclides Neto;

b) 19h30min – Exibição do documentário EUCLIDES NETO O HOMEM E SEU TEMPO, dirigido pelo Professor Albione Souza;

c) 20h15min – Composição da Mesa (Prof. Otávio de Jesus Assis, Diretor do Campus XXI (UNEB), Prof. Vitor Hugo Martins (UNEB), Prof. Albione Souza (FACSA) e Dr. Marcelo Teixeira (Filho de Euclides Neto);

d) 21h15min – Intervenções do público;

e) 22h – Encerramento.

* Haverá também, durante o evento, exposição fotográfica intitulada EUCLIDES NETO: UM ESPÍRITO LIVRE.

“10 anos sem “Dotô Ocride”: Euclides Neto o homem e seu tempo”.

março 11th, 2010

imagem1Euclides Neto vislumbrando sua gestão como prefeito de Ipiaú

Euclides José Teixeira Neto, primogênito entre os nove filhos que tiveram seus pais, Patrício Rezende Teixeira e Edith Coelho Teixeira. Nasceu em 11 de novembro de 1925, em um povoado chamado Jenipapo, distrito de Areia, atual Ubaíra-BA. Em 1927, mudou-se com sua família para Tesouras, atual Ibirataia-BA, atraídos pela cultura do Cacau. A sua infância foi intensa com a vivência no meio rural, segundo Marcelo Teixeira:

Desde muito cedo ele [Euclides Neto] já tem identificação com as coisas da roça, de armar laço, pegar o rato puba, o passarinho e também tinha os afazeres para a mãe dele, como levar um litro de leite todos os dias para vender na época de Tesouras (antigo povoado, distrito de Ipiaú), que era uma forma de renda. Isso quando tinha 5 a 6 anos de idade, ele contava que era tão pequeno que tinha medo de uma passagem que tinha um peru que corria atrás dele, e a mãe dele, minha avó Edite, dava a ele uma varinha para que ele pudesse se defender de um peru.

            Com oito anos, precocemente para a época, iniciou os primeiros contatos com as letras. Sua escola ficava na roça, onde lecionava uma professora leiga chamada Lurdes. Aos 11 anos, com alguns sacrifícios financeiros de seus pais, Euclides Neto foi encaminhado para Salvador. Estudou no colégio Antônio Vieira e no Central da Bahia. Ao chegar reside no pensionato, propriedade de sua tia Inelsina Coelho. Dois anos depois, com o fechamento do pensionato, Euclides passou a trabalhar em pensão de estudantes dirigida pelo francês padre Torrend, professor do Colégio Antônio Viera, em Salvador.

Neste período, influenciado por seu professor padre Torrend, obtém sua formação ética e política. Entre suas principais leituras, neste período, estavam as obras de Karl Marx, Dostoievski, Tolstoi, Euclides da Cunha e Graciliano Ramos. Com a leitura destas obras, entre outras, esposa idéias socialistas. Em sua vida literária publicou catorze livros, predominantemente utilizando-se da temática social, tratando das contradições entre capital e trabalho, bem como as relações de poder existente entre fazendeiros e trabalhadores das fazendas de cacau no Sul da Bahia, que conhecera bem. Sobre a literatura de Euclides Neto, o escritor Hélio Pólvora comenta:

Descarta os assuntos filosóficos e faz ficcionismo com o que conhece: a terra, o enxadeiro, o posseiro, o parceiro rural, a boca-do-sertão baiano, a caatinga. Paisagens, vivências, mitos, grandezas e misérias do meio agreste, a exploração do trabalho, crimes de mando ferem-lhe a sensibilidade e a fazem sangrar.

  Aos dezessete anos, ainda estudante secundarista, escreve o opúsculo intitulado “Porque o homem não veio do macaco” (1943). Em 1945, ao concluir o ensino médio, ingressa na Universidade Federal da Bahia onde iniciou o curso de Direito. Durante o curso publicou os romances Berimbau (1946) e Vida Morta (1947). Nesta época, foi secretário da revista Ergon, dirigida pelo advogado e jornalista José Catarino. Sobre a militância política de Euclides Neto em Salvador, Desidério Neto afirma que No meio político ele tinha muito envolvimento com a leitura de esquerda, suas idéias eram altamente socialistas e chamamos até comunistas, militando no trabalho político do PCB.

            Em livro de memórias, Euclides Neto comenta sobre seu ingresso no Partido Comunista do Brasil, ainda estudante secundarista em Salvador.

Nos distantes 1943-44, os ventos açulavam idéias, a juventude buscava veredas novas. (…) Deglutimos de um tudo: Lênin e Gandhi. De René Fullop Miller a um mundo só de Wendel Wilkie. (…) Estávamos em cio intelectual, quando cai a semente: O Capital de um sujeito barbudo, judeu alemão, vivido na Inglaterra. (…) E, num dia primaveril, sol tarrafeando na Bahia de todos os Jorge Amados, depois dos competentes testes de obediência, coragem, decisão, conhecimento, sou recebido num casarão, ali pela ladeira de São Bento, lado esquerdo. Lugar de morar cristão fugido. Quem receberá meu juramento? Havia os monstros sagrados: Mário Alves, Giocondo Dias. Novos novinhos, meninos. O primeiro amarelo, magro, asceta como todo bom revolucionário. O segundo, aloirado, bigode de cotia, ativo. Carlos Mariguella já se considerava em esfera mais superior, andava Rio, São Paulo (…) Milton Tavares tomou meu juramento, batizou-me. 

            Em seu livro, O partido Comunista que eu conheci, João Falcão discorre sobre a presença de Milton Tavares no Partido Comunista, durante a década de 1940 na Bahia:

Coincidentemente, na mesma época, (abril de 1940) foram presos alguns membros da célula do Ginásio da Bahia, surpreendidos pela polícia quando distribuía boletins subversivos: Célio Guedes, Alderico Mascarenhas, José Schaw da Motta e Silva (Motinha) , Antonio Santos Morais, Milton da Costa Lima e Milton Tavares. Este último era o mais comprometido e ficou na prisão até meados de julho. Ali completou seus 16 anos!

             Sobre o ingresso de Euclides Neto no Partido Comunista, Milton Tavares Comenta:

Eu conheci Euclides Neto na Faculdade de Direito, hoje Faculdade de Direito da Universidade Federal da Bahia, que não era ainda a UFBA, pois a Faculdade data de 1946. Ele era 2  anos mais  atrasado que eu, mas tínhamos bons relacionamentos e participávamos ambos da idéias mais progressistas da época. Quando em 1945 o partido comunista veio a ser legalizado, eu a ele me filiei, e fui escolhido para ser o secretário geral, que era a denominação do dirigente, secretário geral da célula que se constituiu na Faculdade de Direito. Nesta célula, Euclides pediu e obteve ingresso, por meu intermédio, e militou dentro dela. 

            Sobre a militância de Euclides Neto na célula do Partido Comunista do Brasil  (PCB) na Faculdade de Direito, década de 1940, Luís Contreiras (ex-dirigente Partido Comunista) afirma: 

Conheci Euclides Neto pelos idos de 1942 por aí, (…) Em 1945 o Partido Comunista veio à legalidade, nessa época então é que eu conheço Euclides Neto. Me lembro que a sede do partido ficava ali na Ladeira de São Bento, me lembro dos estudantes, que eram um número muito grande da Escola de Direito, foram lá para se filiar ao partido. Ai então eu tive um conhecimento político com ele (Euclides Neto.) [...] Então ele ingressou no partido na célula da Escola de Direito onde fica até 1949 quando se forma e vai para Ipiaú. [...] Eu fui preso em 1975, já na época do governo Geisel e ele (Euclides Neto) foi me visitar na casa de detenção ali no Santo Antônio. Ele mostrou que era um homem que tinha coragem, que em plena ditadura ele teve a sua coragem e a hombridade, com todos os riscos, de me visitar na casa de detenção.  

As idéias socialistas agasalhadas por Euclides Neto, não estavam apenas limitadas a sua vida pública. Em âmbito familiar, também passava tais influencias na formação dos seus filhos. Maria Angélia Teixeira (Gelinha) e Patrício Teixeira comentam sobre os princípios políticos preconizados por seu pai:

Eu cresci achando que o mundo seria comunista, então só tinha direito a uma boneca, a um vestido. No Natal só tinha um presente por que ele [Euclides Neto] dizia que havia muitas crianças passando fome. Natal é coisa de burguês. Nós crescemos achando que o mundo seria comunista . 

Não podíamos experimentar mais que um sapato, pois o menino pobre não podia ter mais que um par de sapatos. Tínhamos que comer toda comida do prato, pois existia muita gente sem ter o que comer. Era uma conscientização diária. 

            Concluiu o curso de Direito em 1949 e entre seus colegas de turma estavam Waldir Pires e Clériston Andrade. Ao chegar em Ipiaú, no ano seguinte (1950), instala um escritório de advocacia situado no sopé da íngreme Rua Siqueira Campos. Pela localização de seu escritório, passa ser chamado de advogado do pé da ladeira. Nesse mesmo ano se casa com a jovem Angélia Mendonça Jaqueira, deste matrimônio tiveram cinco filhos. Em sua carreira jurídica, sempre advogou a favor dos trabalhadores rurais. Na sua obra, Trilhas da Reforma Agrária, afirma que “o trabalhador rural sempre tem razão, mesmo quando, aparentemente não a tem: pelo passado de injustiça que seus antepassados sofreram e ele próprio”.  Sobre sua profissão de advogado, Euclides Neto, em entrevista ao jornal A Tarde de 18.02.1990, afirmou: “advoguei por 40 anos e nunca para bancos firmas ou exportadores de cacau. Sempre defendi trabalhadores rurais”.

Edvaldo Santiago, presidente da câmara municipal ao longo da gestão de Euclides Neto, relata que:

O seu escritório [de Euclides], às vezes, agente chamava de INPS de tanta gente humilde a ser atendida e chamando Dotô Ocride!, Dotô Ocride!, Dotô Ocride… Mas atendia todo mundo. Eu vi de perto suas atitudes: honesto, correto, direito. Ganhou grandes causas, não se preocupou em ficar rico nem trabalhou por dinheiro, trabalhava porque gostava de ser advogado.

 Em 1961, Euclides Neto publicou o romance intitulado “Os magros”. Nesta obra o autor apresenta a discrepância entre a numerosa família de João, trabalhador rural e a família do Dr. Jorge. A primeira é marcada pela miséria. A segunda, como apanágio, ostentava suntuosidade e opulência. Em cada capítulo do romance é apresentada, em contraponto, a discrepância exacerbada entre a família do trabalhador rural, vivendo em extrema pobreza, e a família do abastado proprietário de fazendas de cacau.

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Lançamento do livro “Os Magros” (1961)

A referida obra denuncia sem maquiagem as estratificações e desigualdades socias presentes na região cacaueira. Além disso, expressa o posicionamento ideológico angajado do autor ao apresentar em seus personagens as condições precárias que estavam submetidos os trabalhadores rurais no sul da Bahia. O romance “Os magros” foi publicado em 1961, dois anos antes de Euclides Neto ser eleito prefeito de Ipiaú. Ao longo da obra, nos diálogos entre os personagens, percebe-se a influência marxista do autor. No diálogo entre dois trabalhadores rurais é explícita a discussão em torno da exploração da força de trabalho, que sofrem os trabalhadores, através da “mais-valia”:

 -Lá no sul encontrei um sujeito que veio de São Paulo. Conversa uma porção de ciência. Sabia ler e escrever como um tabelião.

-E era alugado?

-Trabalhava no meio da gente. Reunia a turma no terreiro e lá vai prosa. Dizia que os ricos roubam o trabalho do pobre. Que, se nós estendêssemos, poderíamos também apanhar cacau e vender.

-Bem pensado… Quem rouba de ladrão tem cem anos de perdão.

-Que, se nosso serviço vale cinqüenta cruzeiros, o patrão só paga vinte e cinco. Portanto roubou vinte e cinco. Portanto a gente podia apanhar esses vinte e cinco que o patrão nos roubou.

-É…

-Isso não é roubo. É defesa. Mário era o nome dele. Ainda dizia que se o rico tem o direito de roubar da gente, nós também podíamos fazer o mesmo com ele. 

            No ano de 1962, com a aproximação das eleições para prefeito e vereadores, Euclides Neto é convidado a se candidatar a prefeito de Ipiaú. Inicialmente recusa o convite, em função de suas intensas atividades como advogado. Nesse ínterim, Segundo Angélia Jaqueira Teixeira: “Euclides inicialmente recusa o convite por não possuir envolvimento político-partidário no município”. Entretanto, acaba aceitando o convite e ao final da acirrada campanha eleitoral, após a apuração dos votos, Euclides Neto é eleito pelo Partido Democrático Cristão (PDC). Seu opositor foi o professor Roque Menezes do PSD (Partido Social Democrático). 

Como prefeito eleito uma das primeiras medida foi a desapropriação de uma propriedade rural de aproximadamente 158 ha, a qual foi partilhada entre  famílias de trabalhadores rurais desempregados. Posteriormente, esta área rural foi batizada pelos próprios trabalhadores com o nome de “Fazenda do Povo”. Em 1966 o INDA-Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário realizou uma pesquisa com o objetivo de eleger, em cada estado do país, um município que receberia o título de Município Modelo do Brasil, por seu desenvolvimento nas áreas sociais, econômicas além de possuir harmonia entre os três poderes. No estado da Bahia, foi o único a escolhido para receber o TÍTULO DE MUNICÍPIO MODELO.

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 Gilberto Freire parabenizando  Euclides Neto – Prefeito de Ipiaú, Municipio Modelo da Bahia.

 Sobre as condições de vida dos trabalhadores das roças de cacau, Guerreiro de Freitas e Paraíso afirmam que

De acordo com o que se podia observar, e mesmo ouvir quando se discutia as condições de trabalho na região cacaueira, eram precárias as condições em que subsistia a força de trabalho, tanto no campo quanto na cidade, submetida a toda forma de exploração, enfrentando duras condições para a sua sobrevivência e da sua família.

  Em livro de memórias da sua gestão, Euclides Neto explicou a razão pela qual foi criada a Fazenda do Povo:

 [a Fazenda do Povo] Nasceu da vontade de fazer uma experiência socialista, sem ficar somente na proveta do laboratório de sociologia e política. (…) Com as secas e as fazendas despejando gente, quem mais sofria era o pai de família numerosa, o velho de braços flácidos, o homem de pereba na perna, a mulher abandonada que descaroça cacau e oferenda amor, mais chega ao ponto de não ter mais carne, porque a fome transformou-a em bagaço seco: sem forma nem gosto. Era o que chamamos de sucata de gente.

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Euclides Neto (centro) com poceiros da Fazenda do Povo ( 1963)

Esta iniciativa de socialização, uma das primeiras experiências de reforma agrária realizada por um prefeito no interior do Brasil, que significou “a transformação da propriedade privada dos meios de produção em propriedade social”,  foi peremptória para que grupos políticos conservadores acusassem Euclides Neto de “comunista”. Muniz Ferreira, professor do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia, narra em artigo publicado na Revista História Viva:

 Euclides Neto-que na juventude desposara idéias socialistas, tendo militado no Partido Comunista Brasileiro (PCB) quando estudante universitário em Salvador-atraíra para si as atenções ao empreender uma gestão marcada pela sensibilidade social e, horror dos horrores, pela desapropriação de uma fazenda do município para fins de reforma agrária. Visitado por uma junta militar e submetido a um Inquérito Policial Militar (IPM), o qual se estendeu de abril de 64 a dezembro de 65 [...] 

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Militar (ao centro) investigando Euclides Neto, acusado de práticas comunistas em Ipiaú.

Em Ipiaú, ao iniciar a década de 1960, cerca de 10 pessoas participavam pontualmente de reuniões, preconizando idéias socialistas. Sobre a existência de um núcleo de opositores ao governo militar em Ipiaú, José Mota Fernandes relata: 

Quando estourou a chamada revolução de 64, eu fui avisado que estaria, em Ipiaú, um pessoal do exército e eu fui chamado no quartel da Mangueira, em Salvador. O Coronel do exército me mostrou no mapa: olhe, o seu município como está todo pontilhado de vermelho.  

Com a chegada dos militares em Ipiaú, alguns participantes destas reuniões se dirigiram para Salvador, onde passaram a militar em movimentos de contestação ao regime militar, sendo alguns deles presos e torturados. Em 1964, após saber da existência de opositores do governo militar em Ipiaú, Fernando Gonzáles – membro da organização contra a ditadura, chamada Ação Popular (AP) – dirige-se de Salvador para Ipiaú em busca de militantes para o engajamento na organização antiditadura da qual fazia parte. O jornalista e político Emiliano José escreve sobre a estada de Fernando Gonzáles em Ipiaú e o contato com simpatizantes socialistas: 

Um dia ainda em Ipiaú, aparece Fernando Gonzáles Passos, à procura dos que tinham pichado muros pelo Movimento contra a ditadura. Rui Patterson era um dos principais organizadores da pichação. Além dos muros, Rui havia pichado alguns jegues, que andavam soltos pela cidade. O prefeito Euclides Neto não deixava prender os jericos, e havia muitos deles nas ruas. Tornaram-se pelas mãos de Rui e de seus companheiros, outdoors ambulantes contra o regime militar. [...] Rui torna-se um simpatizante da AP [Ação Popular], ao lado de outros companheiros de Ipiaú.  

O inquérito Policial Militar, que investigou Euclides Neto, durou de abril de 1964 a dezembro de 1965. O último depoimento que prestou aos militares ocorreu em Salvador. A cassação do mandato do prefeito não foi efetivada. Entretanto, até o fim do seu mandato em abril de 1967 continuou sendo patrulhado pelo governo militar. Após o término do mandato, Euclides Neto não voltaria a candidatar-se a cargo eletivo. Retornou ao exercício da advocacia e literatura, mas não se afasta das lides políticas, participando da fundação do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), ulteriormente transformado em PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), legenda que na política Institucional fazia oposição ao governo militar.

Entre a década de 1970 e meados de 1980, Euclides Neto lançou os livros: O patrão (1978), romance em que narra o drama de um trabalhador rural (vaqueiro) que após tomar consciência de que seu estado de necessidade é resultado da exploração de sua força de trabalho, resolve se apropriar de alguns bens do seu patrão; em Os Genros (1981), o autor contextualiza as táticas utilizadas por homens que, no intuito de fazer fortuna fácil, casavam-se com filhas de abastados donos de fazendas de cacau; na obra 64: Um prefeito, a revolução e os jumentos (1983), livro de memórias, Euclides Neto relata episódios ocorridos no período em que foi prefeito do município de Ipiaú; e Machombongo, romance que apresenta as relações de poder e mandonismo exercido pelo “coronel” Rogaciano, proprietário de fazendas de cacau, homem de extensas posses de terras (latifúndio) e de grande influência política (1986).

Em 1987, após a vitória eleitoral de Waldir Pires para governador da Bahia, o antigo colega de faculdade convida-o a assumir uma secretaria de estado em seu governo. Sobre este convite Euclides Neto comentou:

Portanto, ao receber o convite do governador Waldir Pires para dirigir a primeira Secretaria de Reforma Agrária no Brasil, não podia recusar. Até relutei. Mas, a consciência me cobrava, lembrando-me que se não a assumisse o sentimento de culpa me espancaria depois. Tantos anos lutando por aquilo e, agora, por comodidade, indiferença, preguiça, egoísmo, não queria enfrentar o desafio. O nome da Secretaria: Assuntos Fundiários ou Reforma Agrária? Opinei pelo segundo. Precisava logo desmistificar a expressão pornográfica

Durante o período que esteve dirigindo a secretária de Reforma Agrária (1987-1989), Euclides Neto demonstrava sensibilidade e identificação com os pequenos produtores e trabalhadores rurais sem terras, que reivindicavam maiores investimentos e realização de reforma agrária em áreas improdutivas. No livro Memórias das Trevas, o Jornalista João Carlos Teixeira comenta sobre a Secretaria de Reforma Agrária do Estado da Bahia durante a gestão de Euclides Neto:

Em dado momento o governo, com razão, quis divulgar o sucesso do seu programa de assentamento agrário, conduzido com competência pelo secretário Euclides Neto, conhecedor dos problemas interioranos.(…) O essencial era passar à opinião pública informações objetivas sobre o número de assentamentos já instalados, o papel que eles desempenhavam na produtividade e na alteração do quadro fundiário na Bahia, tradicionalmente marcado pela concentração da terra e pelo latifúndio improdutivo.

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O governador Waldir Pires visitando Euclides Neto em Ipiaú (1987)

Pelo seu desempenho como secretário de Reforma Agrária teve seu nome cogitado para ser o candidato a governador da Bahia nas eleições de 1990, representando uma possível coligação de partidos denominada ”Frente Brasil Popular”. Com o surgimento de divergências políticas, a candidatura de Euclides Neto não é concretizada. Suas ações, como Secretário de Reforma Agrária do Estado da Bahia, foram reconhecidas pela Câmara Municipal da capital baiana ao homenageá-lo, em 1991, com o título de cidadão da cidade de Salvador.        

Em 1994, com sua saúde debilitada, afastou-se das atividades políticas e se dedicou intensamente à escrita das seguintes obras literárias: “O Menino Traquino” (1994), livro de crônicas políticas; o romance “A Enxada” (1996), que, através da personagem Albertina (trabalhadora das roças de Cacau) são apresentadas as agruras vividas pelos trabalhadores do campo ao se aventurarem em busca de trabalho nas cidades; “Dicionareco da Roças de Cacau e Arredores” (1996), pequeno dicionário com palavras utilizadas entre os trabalhadores das roças de cacau, no Sul da Bahia; e Trilhas da Reforma Agrária (1999), inspirado nas experiências cotidianas vividas por Euclides Neto, quando dirigiu a Secretaria de Reforma Agrária do Estado da Bahia.

Na vida em família, demonstrava-se sempre dedicado à sua esposa e filhos, mesmo quando exercia suas atividades públicas. No seu currículo, Euclides afirma: “Sempre dei mais trabalho a eles do quê eles a mim”. No contato com seus filhos, salientava sempre a importância da valorização dos estudos. Segundo Marcelo Teixeira:

[Euclides Neto] Nos dizia sempre que: (na época em que o Cacau dava dinheiro) não quero ver vocês cuidando de roças sem ter concluído os cursos de cada um. Pois, o Cacau, o gado um dia poderá desaparecer, ou até mesmo um regime mais sério pode chegar aqui e dividir as terras, mas o que vocês vão aprender na universidade ninguém tira. Esse conhecimento que vocês vão adquirir ao longo dos anos é eterno, e essa é a garantia do futuro de vocês.

 

Com relação à escolha da área de formação profissional de seus filhos, deixava sempre a critério de cada um deles. Entretanto, recomendava que optassem pelas áreas que tivessem maior afinidade, pois, dessa forma, certamente desempenharia bem sua função e seriam bons profissionais.

No dia 5 de abril de 2000, aos 74 anos, Euclides Neto faleceu no Hospital Aliança na cidade de Salvador. No dia seguinte, seu velório acontece na Câmara Municipal de Ipiaú, onde foi homenageado por todas as classes sociais do município.

Em 2001, após seu falecimento, a EDITUS (Editora da Universidade Estadual de Santa Cruz-UESC/ Ilhéus), numa publicação póstuma, lançou a última obra escrita por Euclides Neto, o livro de contos denominado “O Tempo é Chegado”.  Em cinco de abril de 2010, completar-se-á dez anos do falecimento de Euclides Neto.

“NÍQUEL DOS TOLOS!”

janeiro 18th, 2010

 

Sem título 

No sistema capitalista, onde o ter material está acima do ser, cotidianamente nos deparamos com situações alimentadas pelos tacanhos sentimentos de manter subservientes pessoas a guisa de cooptações e subornos, gestos mesquinhos que encontram fertilidade em mentes e corpos desejosos do convite sedutor às supostas “tentações irrecusáveis” em tirar vantagens das situações.

Neste modelo de sociedade, as relações interpessoais tomam um roteiro semelhante ao trilhado por um burguês no Shopping Center, colocando em seu carrão tudo que atrai seu desejo consumista, mesmo os mais fúteis. Tal lógica agasalha a idéia que todos são subordinados (e/ou subornáveis) ao todo poderoso “deus dinheiro”. Estes tolos preconizam que tudo é uma questão de tempo, oportunidade e principalmente o preço que valha o indivíduo assediado com propinas, cargos, empregos, mensalões, benesses, em troca da rendição desejada.

Não olvidemos o que narra a Bíblia, no novo testamento, quando Judas, discípulo de Jesus Cristo, rendeu-se por 30 moedas de prata, “seu preço”, recebido em troca da traição ao seu mestre, o Homem de Nazaré. O final da história de Judas, que traiu seus princípios e sua consciência, todos sabem qual foi, dispensa delongas.

Nos últimos tempos ouvimos falar muito de progresso e desenvolvimento como se beneficiassem a todos, ou pelo menos a maioria, coisa que nem de longe ocorre. O progresso acaba sendo abocanhado por pouquíssimos grupos em detrimento da maioria. Com efeito, por outro lado, o que ocorre com a maioria das pessoas é a exploração, o caos urbano, o aumento do valor dos imóveis e dos alimentos, criminalidade, prostituição, além da latejante degradação humana e ambienta diante dos nossos olhos. Abro esse parêntese, pois nosso município está vivendo esta febre do “El Dourado, ou melhor, do El Niquelado, símbolo do progresso emergente”.

Não obstante, surgem discursos demagógicos e fantasiosos dos oráculos da mineração redentora, colocando-a na condição de remédio para todos os males. No entanto, ao mirarmos as consequências que se avizinham percebemos que não são boas, tampouco belas, como desenham os apologistas da “mineração salvadora”.

Decerto, mudaram-se muitas coisas em tão pouco tempo de níquel em Ipiaú, porém ainda é só o começo, muitas coisas ainda sairão do estado de latência vindo à tona caindo máscaras. Percebe-se que na esteira da mudança, independentemente da cotação do níquel, históricos ativistas sociais, outrora combativos antes do advento do minério, renderam-se de malas e bagagens à sedução niquelada se transformando em “PAPANÌQUEIS” de plantão. Estes metamorfizados repentinamente mudaram suas convicções, aniquilando suas consciências e professando os mandamentos dos seus antigos antípodas.

Não é demais afirmar que um povo para ser soberano precisa ter consciência e convicção que o seu futuro não é fruto do fado (destino), ao contrário, ele virá como consequência das ações ou omissões que opta aqui e agora, deixando os frutos como legados para as futuras gerações.

“Certamente a história não perdoará os mercenários que barganharam suas almas e consciências em troca do ilusório e fugaz níquel dos tolos”.                                                                                              Albione Souza